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| (Reuters) |
Quando falamos de representações LGBT, uma das primeiras imagens que vem a nossa cabeça é aquela figura da “bixa louca”, nas novelas por exemplo é muito comum ver homens cis hétero fazendo papéis ou de gays afeminadas ou de travestis como um alívio cômico, sendo normalmente feito de forma pejorativa com intuito de rirmos dessa figura. Com os avanços das pautas sociais esse estilo de deboche já é inadmissível para boa parte da população brasileira, afinar a voz, se tratar no feminino e gesticular bastante com as mão no intuito de rir é facilmente considerado homofobia hoje em dia.
Outra coisa importante mencionar é como historicamente a humanidade lidou com questões de transgeneridade, associada a transtornos e doenças mentais, por anos e anos as a comunidade trans era aprisionada e torturada em manicômios, sempre sendo demonizada e associada a questões de “loucura”, e representação essa que deixa marcas na nossa sociedade até hoje, já que não é difícil vermos pessoas colocando LGBTs como “confusos”.
Voltando para as questões de neolinguagem, além das piadas e deboches, é muito comum entre grupos que vão contra as novas propostas se expressarem como se estivessem sendo atacados, obrigados e “cancelados” por se negarem a usar as novas formas de linguagem. É importante nesse momento lembrarmos de como travestir e mulheres trans são marginalizadas, sendo sempre retratadas como pessoas que se exaltam e que são naturalmente agressivas (fruto daquela associação com doenças mentais que citei antes), só o fato de uma pessoa trans se opor a uma pessoa cis pode muitas vezes ser colocado como grosseria, e isso não muda nos debates em relação a linguagem neutra. E para somar com isso, as próprias “piadinhas” normalmente são feitas como um ar de esnobação, o alvo é sempre quem utiliza da linguagem neutra que nessa situação é colocado como um sujeito ridículo, sem motivos para levarmos o a sério (em outras palavras estão chamando o sujeito de burro). Com a vilanização e os estereótipos da comunidade LGBT, podemos concluir que no final tudo não passa de uma licença para expor seus preconceitos e desconfortos. Como antigamente, o alvo das piadas não só é a maneira de falar, mas também as pessoas descontentes com as imposições de gênero, são os mesmos estereótipos e os mesmos instrumentos para disfarçar o preconceito.
Para finalizar vejo gente que apoia e utiliza a neolinguagem acharem bom o fato dela ter virado piada, já que isso de certa forma ajudaria a normalizar toda a situação. Sabemos que isso é estratégia de extremistas brancos e neonazis, mas isso muda completamente pois eles não são uma minoria social, muito pelo contrário, são assumidamente opressores, as piadas que normalizam essas ideias sempre tem como alvo as pessoas racializadas e não os próprios nazistas. Quando trazemos isso para questões de gênero a lógica não se aplica.

Reflexão bem pertinente. Não pude deixar de lembrar de uma dúzia de personagens da ficção com essa pecha de "bicha louca". Creio que na televisão aberta, em especial, elas são relativamente comuns. Uma complicação extra é pensarmos que são concessões públicas usadas para ridicularizar quem transgride o normativo.
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